Segunda-feira, Agosto 15, 2005

Os porquês

Fugindo um pouco, para dizer pouco, à temática habitual deste blog, não posso deixar de ficar calado tal a indiganção e desprezo que sinto por certas pessoas e acções.

Se alguns ainda se perguntam sobre os porquês e os perigos da colaboração e integração de alguns países em coisas importantes e sérias, como a União Europeia, eis uma das respostas. Segundo o Jornal de Notícias, andaram alguns chulhos no nosso país a passar vistos e autorizações e sabe-se lá mais o quê a imigrantes ilegais em troca de grandes quantidades de dinheiro. Crime há e sempre haverá, mas a mentalidade tacanha e mesquinha de um povo que não compreende as implicações das suas acções egoístas coloca em perigo não só o seu país mas como todos os que confiam nele. Desses emigrantes ilegais, a maioria eram árabes e indianos. Escusado será dizer que quem tem essas somas de dinheiro para pagar e vem dessas zonas não são os vulgos imigrantes desgraçadinhos, mas sim os que têm outras intenções. Sim, terroristas. Ao que parece, um dos que obteve papeis dessa forma esteve envolvido jé em antentados.

Como portugueses, se não queremos ser estigmatizados por causa de uma minoria, temos de levar isto com a maior seriedade, correndo o risco de perdermos toda a credibilidade e confiança, se é que ainda existe, por parte dos nossos parceiros. Com falinhas mansas não vamos lá. Exige-se seriedade e acção.

Sexta-feira, Agosto 12, 2005

Press release de Bonifácio Cadita

Acabou de me chegar às mãos um documento do nosso amigo e colaborador inestimável Bonifácio Cadita. Sobre o boni, como carinhosamente o tratamos, podemos dizer que temos trabalhado com ele ao longo de mais de uma década e que finalmente resolveu sair do anonimato para as luzes da ribalta, ou melhor dizendo, saíu do armário, para dar a cara. Usando palavras do mesmo, saíu da gaveta das cuecas e peúgas para dar algo mais do que o cu. Eis que fica aqui então o "carrega e descarga" (press release, em estrangeiro).

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Os meus sinceros cumprimentos a amigos e admiradores. Estando a chegar ao fim-de-semana, ai como a vida passa depressa, e indo partir para a terra, onde irei encontrar os meus amigos do clube dos admiradores de quadrúpedes dóceis de pelo farfalhudo, vulgos ovelhas, carneiros, cabras, bodes e outros que tais, resolvi deste modo chegar a vós uma voz de protesto por parte de um grupo muito importante da sociedade, as ovelhas. Faço minha a voz delas, na luta para a mudança da sua denominação de ovelha para outro nome. Ovelha é um nome infeliz, que não lhes permite ter sucesso como animais. Porque têm que se chamar "o-velha"? Porque não "o-nova"? Ou melhor "o-jovem-de-futuro-promissor"? São animais traumatizados, sendo gozados e maltratados por outros grupos de animais. Só para exemplificar, os carneiros tratam-nos como "ocotas", as vacas como "ogimbras" e os burros como "ocarcacentosdemerda". As ovelhas espanholas ainda podem responder à letra, respondendo "oder" a todos os que se aproveitam do nome para fazer graçolas. Está a passar uma petição num quiosque perto de si para que as ovelhas se chamem a partir de agora ometetecomigoquelevasumacornadanasfuçasmeuanimal. Sejam solidários.

Termino com mais umas sugestões de filmes para o fim-de-semana:

- Inspecção anal - o dia-a-dia de um técnico de saúde púbica, sempre bem recebido pelos inspeccionados.
- Uma hora e 15 minetes - um madeirense obcecado pelo tempo, uma história trágica de herpes bucal fatal
- A queda dos entrefolhos - no outono da vida, a história de um homem que encontra o amor em cada esquina
- Salvando as partes privadas do Ryan - atingido por uma doença decadente, este thriller médico conta a história de um infeliz esquentamento de verão. Em Inglês.
- Porcalhotas - para os mais novitos, a saga de uma jovem da vida, abandonada por todos os seus clientes.
- Adivinha quem mama - mais uma comédia para animar o serão, para amantes da arte oral.
- Rabinho dos bosques - um jovem à procura da sua identidade, numa época em que os colãs ainda não se usavam para balé.
- De olho bem aberto - uma viagem ao interior de um homem, revelador.
- Andacona - suspense até ao fim, uma história de cobras cuspideiras

Bem-hajam!
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Obrigado Bonifácio, qualquer dia este homem estará ao nível do Prof. Martelo.

Quinta-feira, Agosto 11, 2005

Mais uma verdade revelada

Acabei de descobrir porque razão somos tão maus e estamos na situação em que estamos. A verdade veio-se-me como quem não quer a coisa, num acaso, num laivo de lascívia, num repentismo de luz. A repostas é tão simples que até se me arrepiam todas pilosidades corporais: por causa dos nossos avós. Sim, esses velhinhos simpáticos e de aspecto sapiente. E por causa dos avós deles, e dos avós dos avós deles, e por aí fora. E a verdade esteve sempre à nossa frente, nos nosso ouvidos e vozes, qual bíblia. Encontrei-a ofensivamente em algo que toca todos os portugueses, que os mais novos pensam ser um hino de futebol, o hino nacional.

Ó Patria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós

Eis a verdade. Os nossos avós eram egrégios. Assim o mais ignorante e religioso, características intimamente relacionadas, pensará que tinha um avô que ia muito à igreja. Natural. Mas para o comum dos que não sabem nada por querem saber, uma corrida ao dicionário revela que egrégio significa elevado, nobre, distinto, ilustre, insigne. Ou pelo menos, assim nos querem levar a pensar aqueles que nos escrevem nos dicionários o que as palavras vão passar a significar. Sempre me perguntei quem seriam, imagino pessoas escolhidas a dedo por uma seita misteriosa, reunidos num covil secreto. O que me leva a pensar isto? Vejamos a origem da palavra egrégio. Vem do latim egrejiu, de e+grege, significa acima do rebanho, ou melhor, ovelha selecta. Sem desrespeito pelas ovelhas, somos descendentes de ovelhas selectas? E que ovelhas se costuma selecionar e apontar o dedo. Pois, a ovelhas negras. Cheirava-me a esturro. Fui então verificar à língua inglesa que significado tem a palavra "egregious", notavelmente a versão inglesa da mesma palavra latina. Foi então, meus amigos ovelhas, que tudo se me caíu e a luz fria da verdade me atingiu com toda a sua força. Em inglês o seu significado é "extremamente mau ou repreensível"... preciso de dizer mais?

Quando for grande

Come que é para seres grande. Muito grande? Sim, muito grande. Mais grande do que agora? Sim, muito mais grande. Assim podia soar uma conversa banal entre uma mãe e o seu filho. Desde que há sopa que se tem recorrido aos mais diversos truques para convencer a miudagem mais aversa a uma pratada de tocos de couves e outras legumagens que tais enmisteladas, à ingestão do respectivo. O povo diz muitas coisas, umas certamente atempadas e com sabedoria, mas creio que a maioria baseada em crenças descabidas e mitos populares. Come que senão chamo o polícia. Come senão o cigano leva-te. Frases como estas marcam uma criança para a vida, tornando difusa a conotação emocional entre um cigano e um polícia, duas personagens caricatas no teatro da vida.

Dentro destas frases popularuchas, mas mudando de contexto, venho aqui de sorriso aberto e triunfal apresentar a razão, finalmente descoberta, porque sempre achei ridícula frases do tipo Quando for grande quero ser como o meu pai, ou, Sai mesmo ao pai, ou pior, tal pai tal filho, ou ainda pior, filho de peixe sabe nadar. Meus amigos, em que se baseiam as pessoas que dizem isto? Não sei se sentem a mesma sensação visceral interior quando ouvem estas frases da boca de alguém, com a intenção de mostrarem que têm razão nalgum ponto. É que estas frases não dão para discutir, pegue-se por onde se pegar, ficamos sempre sem razão. Quem as utiliza no momento certo tem a garantia da vitória moral. Irritante. Pois agora, aqueles que sempre sofreram por não poderem argumentar, têm aqui a solução.

Leiteiros, carteiros, vendedores de porta-a-porta deste país, um bem-hajam!

Terça-feira, Agosto 09, 2005

Respostas a amigos desconhecidos

Não sei como é com vocês, mas farto-me de receber emails de amigos que nem sabia que tinha. Habitualmente vão parar directamente à caixa de spam, e a maoria nem chego a abri-los. Mas sempre me indaguei quem estará do outro lado e que aconteceria se respondesse a esses emails. Parece que não sou caso único, e hoje esbarrei num artigo que relata sobre essa mesma situação. Leiam sobre a saga de uma pessoa que procura algum contacto humano do outro lado da linha.

Segunda-feira, Agosto 08, 2005

Medalha de carqueja para Portugal

Finalmente Portugal pode jubilar neste campeonato mundial de atletismo alternativo que se está a realizar em Skrofulla, no país do sol poente. Conseguimos, foi a palavra que soou no final da boca do valoroso atleta português de zoopentatlo, Amílcar Alhito, ao subir ao mais alto e honroso lugar do podium. Ainda cheguei a duvidar, mas sou muito homem e não sou pessoa de me contentar com pau santo ou pau de cabinda, disse ao beijar a mais alta distinção deste campeonato, a medalha de carqueja.

Foram dias de competição bastante atribulados. Estamos todos lembrados do mau começo do primeiro dia, o lançamento do suíno. O porco português, Reco de seu nome, substituiu à última da hora o porco que costuma acompanhar Amílcar, Totó. Totó sofreu uma lesão na última semana de preparação para este campeonato, devido a uma queda aparatosa, tendo feito uma torção de cauda e escoriado a focinheira. Muitos terão contestado a decisão de não ir a este campeonato por parte de Totó, que esteve recentemente envolvido em rumores de doping, recusando os testes de controlo obrigatório em porcos, a biópsia de presunto. Reco, recrutado à última da hora, nunca esteve à altura de Totó, foi um porco magro e intranquilo, e sendo asmático, muito sofreu com o fumo nos locais de treino portugueses, na altura que ainda haviam bosques. Uma prova para esquecer.

O segundo dia foi mais feliz, embora não menos atribulado. A prova do enrabamento de camelo decorreu a favor de Amílcar. O camelo, Areias, revelou bom controlo de esfïncter, expulsando poucos gases, denotando experiência prévia (ao que parece era trabalhador por conta de outrém antes de se dedicar ao desporto profissional) e permitindo uma técnica com ritmo, agradável de seguir. Prática aliás bem conhecida no camelo português, habituado a sofrer este tipo de sevícias no seu dia-a-dia. O concorrente francês, Marcel Buffe, um sério concorrente à vitória, teve aqui em precalço, estando o seu camelo, Sabbles, bastante debilitado com hemorróidas e uma crise grave de diarreia ácida, teve de recorrer a um movimento desesperado de felação, técnica à qual não estava habituado, acabando mal num banho de baba. É também um problema conhecido dos camelos franceses, devido à sua fraca higiene, recurso incessante a águas de colónia várias e alimentação bizarra. O camelo francês é conhecido pelas suas diversas patologias, como défices olfactivos e visuais, que o leva sempre a pensar que cheira bem e é bonito, apesar das evidências. O que importa é ser feliz. Ainda pensaram em usar um camelo emigrantês, mas como estamos no Verão já tinham todos abandonado a França em bólides usados e alugados para migração anual, um desporto radical bem apreciado, apesar do número elevado de casualidades.

O terceiro dia albergava uma das provas raínhas desta competição, o salto para a rata. A prova portuguesa revelou o comportamento típico da rata portuguesa, de aspecto conservador e receoso ao início, mantendo a distância, usando argumentos fortes de ordem familiar, moral e até religiosa. No entanto, depois de ganha a confiança e perdido o receio, a rata portuguesa revelou-se inovadora, gulosa e ficou até sabor a pouco, tendo Amílcar recorrido à técnica secular do interruptus para tentar prolongar a prova. Nota negativa para a rata inglesa, pálida e um pouco frígida. Foi mais tarde detectado no exame anti-doping que havia consumido uma quantidade grande de cervejas, levando à sua desqualificação. Esta rata despertou a simpatia dos portugueses, assim como a alemã, pois são conhecidas frequentadoras de terras portuguesas a sul no verão.

O quarto e penúltimo dia é sempre o dia favorito para os amantes das artes belas, é o dia da figura de urso. Mais uma vez o concorrente português superou a concorrência com enorme destreza. Revelou técnica apurada, fruto de muito treino e dedicação durante os anos. Apresentando uma indumentária que impressionou logo à partida, constituída de chanatas de borracha, calções uns números acima do adequado e uma t-shirt de imitação do seu clube de futebol desde miúdo, Amílcar conquistou o juri com o seu andar sem sentido, óculos de marca na cabeça, bigode farto e palito no canto da boca. Um mestre na arte de fazer figura de urso.

O último dia da competição apresenta a prova mais completa e exigente, a combinação de força e destreza, inteligência e músculo, coragem e humildade, onde homem e besta têm de estar em simbiose perfeita, é a prova derradeira da entrada pela porta do cavalo. Vantagem inegável aqui para os portugueses, habituados a entrar pela porta do cavalo em todas as situações. Mesmo apresentando-se montado num burro, por falta de verbas, Amílcar derrotou a concorrência mais próxima sem dificuldade. Desqualificado foi o concorrente do Uzbequistão por ter sido apanhado na posse de cavalo. Este alegou que não tinha compreendido as regras nem que se estavam a referir a um quadrúpede doméstico caballu. É caso para dizer que foi de cavalo para burro.

Os nossos sinceros parabéns para Amílcar, o orgulho de todo o Portugal.

Comentários de alguém que assisitu ao vivo a este momento histórico? Partilhem connosco as emoções!

Sexta-feira, Agosto 05, 2005

Recomendações cinéfilas de Bonifácio Cadita

Após conversa telefónica com Bonifácio Cadita, que deseja permanecer anónimo, temos o prazer de divulgar ao público em geral, e em particular àqueles que amam o cinema pornográfico amador, as sugestões quentes e originais para um fim de semana que já por si não se adivinha nada frio. Aqui ficam elas, um bem-haja para todos vós:

- Húmidas e geladinhas - uma saga sensual de amantes de cerveja a menos 3 graus do que a temperatura já considerada fresquinha. Um "must" para fins-de-semana escaldantes.
- Branca de neve e os 14 testiculões - não se deixem enganar pela referência a neve, este filme é de arrombar a arca.
- Vamos brincar aos clisteres - muito líquido a jorrar, essencial para tarde quentes.
- Autobiografia de um chato de pentelheira - filme moralista, fica o incentivo a rapar todas as pilosidades em locais expostos ao povo.
- O penetrador implacável - um velho clássico, agora reencenado.
- Eduardo mãos-no-pénis - uma adolescência agustiante marcada pelo recurso implacável à auto-estimulação.
- O planeta das macacas - muito espancamento no macaco com a visão destas macacas tolas.
- Com o bife na bufa - às vezes as melhores entradas para o prazer não são as pela porta principal. Para alternativos.
- Peido de leite - para quem gosta de cinema de fusão.

Boas e muitas sugestões para o fim-de-semana, divirtam-se!

Quinta-feira, Agosto 04, 2005

Hoje seria na peida

Bonifácio Cadita caminha como o faz todas as manhãs, de casa para a paragem do autocarro. Hoje acordou bem disposto, ao contrário do que lhe é habitual. Sentiu energia, alegria, vontade de desalapar o corpo velho e cansado do seu caixão nocturno a que chama cama. Nesta estão os mesmos lençóis já há mais de mês e meio, mas o toque empastado provocado por uma mistura de suor, urina e salpicos de esperma libertados durante os devaneios nocturnos na terra imaginária dos sonhos, aliado a pedaços de pele e pêlos dos mais variados pontos corporais, não parecem incomodar Bonifácio. Felizmente, ou não, a natureza não o dotou da habilidade de distinguir os variados odores. Melhor, pensa, não precisa de gastar dinheiro em perfumes ou desodorizantes. Na mesa, um vaso de flores de plástico, uma toalha velha e desgastada pelo uso, onde ainda se vislumbram os restos do que foi o jantar de ontem. Estava demasiado cansado, ou melhor dizendo, desmotivado para arrumar o que sujou e tirou do sítio. Ainda na banca se vêm os restos das embalagens dos pré-congelados, o copo de uísque, um velho hábito, pão seco abandonado e os mais variados utensílios que há muito perderam lugar nas prateleiras. Na sala deixa o sofá ainda com a toalha amarrotada, os jornais de ontem com algumas páginas rasgadas no chão entre o sofá e a televisão perigosamente perta, e a embalagem de óleo corporal que por acidente entornou com o pé num momento de maior euforia. Tenho que me lembrar de devolver o DVD. Era um fã dos vídeos, mas rapidamente passou para o DVD, adorava a sua imagem e som digital. Distinguia muito melhor os corpos nus, em câmara lenta, nos momentos que mais lhe tocavam. Vestiu a mesma combinação aborrecida de indumentária, conservadora, coçada, sem imaginação. Não é pessoa de arriscar muito. Pegou na sua pasta e aqui o encontrámos, a dirigir-se à habitual paragem de autocarro, onde já conhece as caras e os horários de todos que por lá passam. Hoje está feliz, pressentia que algo de bom lhe iria acontecer. Uma fila esperava já o autocarro, sorriu abertamente, ia ficar mesmo ao lado da sua fetiche matinal, uma loira entradota, de peito avantajado, que hoje trazia umas calças finas que deixavam adivinhar que naquele pandeiro, como gostava de denominar a região nadegueira daquela maravilhosa loira, fio dental era o prato do dia. Fechou os olhos um segundo, abrindo-os de seguida, fixou-se atentamente na forma daquelas nádegas que vem a desejar há uns anos e veio-lhe o pensamento descontrolado à cabeça, Hoje seria na peida...

Egofobia

Sou um egofóbico. Não há nada que tenha mais medo na vida do que de mim próprio. Ao mesmo tempo sou um masoquista, pois não consigo deixar de viver comigo mesmo. Já tentei de tudo, fugir, ignorar, tapar os ouvidos, fechar os olhos, até cantar alto para não me ouvir, mas estou sempre lá. Pior ainda, digo que para estar bem com os outros, tenho de estar bem comigo próprio primeiro. Ser altruísta sendo egoísta. Sou sádico comigo mesmo. Haverá nome para descrever esta condição?

Esta dualidade, qual amor-ódio, preto-branco, quente-frio, yin-yang, acima e abaixo, adentro e afora, banana e chocolate, dizem ser duas faces da mesma moeda. Pior que tudo isto, a indiferença, que não entra na história da moeda. Essa sim, destrutiva, esmagadora, esmigalhadora, pungente, aflitiva, opressora, essa sim, essa destroi e corroi por dentro, lentamente, levemente, vagarosamente, demoradamente, ao longo de anos, de uma vida, até que nos tornamos em tudo aquilo que sempre dissemos e sentimos que não queriamos ser.

Sou um ser viscoso, qual osga, lesma insolente, repelente, ignóbil, desprezível, abjecto, vil, indesejável, sou eu mesmo, sou-me a mim, sou eu, está tudo dito. Sou profundamente egofóbico. Haverá fobia mais incapacitante?

Como homem, há fobias que me fazem ainda mais infeliz do que ser apenas egofóbico. Não fosse eu tripofóbico, que ao que parece infelizmente é fobia que só dá em mulheres, sou o primeiro caso masculino conhecido. Tripofóbico não é ter medo de tripes, mas ter medo de buracos, especialmente aqueles que ocorrem naturalmente. Sim, estou a pensar precisamente nesses, esponjas, corais, certos tipos de favos de mel. Incapacitante. Se a essa fobia adicionarmos a tricofobia, medo de pilosidades várias, sim, tipo veludo, lã e afins, nunca mais me posso chamar homem novamente. Como posso eu considerar-me homem se não posso tomar banho com a minha esponja natural e secar-me na minha toalha de veludo? Não é vida.

E para vocês nosofóbicos, vulgos hipocondríacos, e pantofóbicos, vulgos medricas e acagaçados da própria sombra, em geral, não fosseis vós amaxofóbicos e basiofóbicos, dir-vos-ia para irem àquela parte com as vossas fobias, que comparada com as minhas são ninharias.