Egofobia
Sou um egofóbico. Não há nada que tenha mais medo na vida do que de mim próprio. Ao mesmo tempo sou um masoquista, pois não consigo deixar de viver comigo mesmo. Já tentei de tudo, fugir, ignorar, tapar os ouvidos, fechar os olhos, até cantar alto para não me ouvir, mas estou sempre lá. Pior ainda, digo que para estar bem com os outros, tenho de estar bem comigo próprio primeiro. Ser altruísta sendo egoísta. Sou sádico comigo mesmo. Haverá nome para descrever esta condição?
Esta dualidade, qual amor-ódio, preto-branco, quente-frio, yin-yang, acima e abaixo, adentro e afora, banana e chocolate, dizem ser duas faces da mesma moeda. Pior que tudo isto, a indiferença, que não entra na história da moeda. Essa sim, destrutiva, esmagadora, esmigalhadora, pungente, aflitiva, opressora, essa sim, essa destroi e corroi por dentro, lentamente, levemente, vagarosamente, demoradamente, ao longo de anos, de uma vida, até que nos tornamos em tudo aquilo que sempre dissemos e sentimos que não queriamos ser.
Sou um ser viscoso, qual osga, lesma insolente, repelente, ignóbil, desprezível, abjecto, vil, indesejável, sou eu mesmo, sou-me a mim, sou eu, está tudo dito. Sou profundamente egofóbico. Haverá fobia mais incapacitante?
Como homem, há fobias que me fazem ainda mais infeliz do que ser apenas egofóbico. Não fosse eu tripofóbico, que ao que parece infelizmente é fobia que só dá em mulheres, sou o primeiro caso masculino conhecido. Tripofóbico não é ter medo de tripes, mas ter medo de buracos, especialmente aqueles que ocorrem naturalmente. Sim, estou a pensar precisamente nesses, esponjas, corais, certos tipos de favos de mel. Incapacitante. Se a essa fobia adicionarmos a tricofobia, medo de pilosidades várias, sim, tipo veludo, lã e afins, nunca mais me posso chamar homem novamente. Como posso eu considerar-me homem se não posso tomar banho com a minha esponja natural e secar-me na minha toalha de veludo? Não é vida.
E para vocês nosofóbicos, vulgos hipocondríacos, e pantofóbicos, vulgos medricas e acagaçados da própria sombra, em geral, não fosseis vós amaxofóbicos e basiofóbicos, dir-vos-ia para irem àquela parte com as vossas fobias, que comparada com as minhas são ninharias.
Esta dualidade, qual amor-ódio, preto-branco, quente-frio, yin-yang, acima e abaixo, adentro e afora, banana e chocolate, dizem ser duas faces da mesma moeda. Pior que tudo isto, a indiferença, que não entra na história da moeda. Essa sim, destrutiva, esmagadora, esmigalhadora, pungente, aflitiva, opressora, essa sim, essa destroi e corroi por dentro, lentamente, levemente, vagarosamente, demoradamente, ao longo de anos, de uma vida, até que nos tornamos em tudo aquilo que sempre dissemos e sentimos que não queriamos ser.
Sou um ser viscoso, qual osga, lesma insolente, repelente, ignóbil, desprezível, abjecto, vil, indesejável, sou eu mesmo, sou-me a mim, sou eu, está tudo dito. Sou profundamente egofóbico. Haverá fobia mais incapacitante?
Como homem, há fobias que me fazem ainda mais infeliz do que ser apenas egofóbico. Não fosse eu tripofóbico, que ao que parece infelizmente é fobia que só dá em mulheres, sou o primeiro caso masculino conhecido. Tripofóbico não é ter medo de tripes, mas ter medo de buracos, especialmente aqueles que ocorrem naturalmente. Sim, estou a pensar precisamente nesses, esponjas, corais, certos tipos de favos de mel. Incapacitante. Se a essa fobia adicionarmos a tricofobia, medo de pilosidades várias, sim, tipo veludo, lã e afins, nunca mais me posso chamar homem novamente. Como posso eu considerar-me homem se não posso tomar banho com a minha esponja natural e secar-me na minha toalha de veludo? Não é vida.
E para vocês nosofóbicos, vulgos hipocondríacos, e pantofóbicos, vulgos medricas e acagaçados da própria sombra, em geral, não fosseis vós amaxofóbicos e basiofóbicos, dir-vos-ia para irem àquela parte com as vossas fobias, que comparada com as minhas são ninharias.

2 Comments:
Adorei o seu texto, muito criativo...tb acho que sou egofobica...rs
po cara, digamos que eu compreendi até a metade do texto. E achei muito interessante. Depois a parte que sobre tripofobia, já não ficou mto claro. vc se comparou com uma mulher? vc é homosexual? sobre o que vc tava falando?
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