Quinta-feira, Agosto 11, 2005

Quando for grande

Come que é para seres grande. Muito grande? Sim, muito grande. Mais grande do que agora? Sim, muito mais grande. Assim podia soar uma conversa banal entre uma mãe e o seu filho. Desde que há sopa que se tem recorrido aos mais diversos truques para convencer a miudagem mais aversa a uma pratada de tocos de couves e outras legumagens que tais enmisteladas, à ingestão do respectivo. O povo diz muitas coisas, umas certamente atempadas e com sabedoria, mas creio que a maioria baseada em crenças descabidas e mitos populares. Come que senão chamo o polícia. Come senão o cigano leva-te. Frases como estas marcam uma criança para a vida, tornando difusa a conotação emocional entre um cigano e um polícia, duas personagens caricatas no teatro da vida.

Dentro destas frases popularuchas, mas mudando de contexto, venho aqui de sorriso aberto e triunfal apresentar a razão, finalmente descoberta, porque sempre achei ridícula frases do tipo Quando for grande quero ser como o meu pai, ou, Sai mesmo ao pai, ou pior, tal pai tal filho, ou ainda pior, filho de peixe sabe nadar. Meus amigos, em que se baseiam as pessoas que dizem isto? Não sei se sentem a mesma sensação visceral interior quando ouvem estas frases da boca de alguém, com a intenção de mostrarem que têm razão nalgum ponto. É que estas frases não dão para discutir, pegue-se por onde se pegar, ficamos sempre sem razão. Quem as utiliza no momento certo tem a garantia da vitória moral. Irritante. Pois agora, aqueles que sempre sofreram por não poderem argumentar, têm aqui a solução.

Leiteiros, carteiros, vendedores de porta-a-porta deste país, um bem-hajam!